Ashes of Creation: CEO do Intrepid Studios nega acusações de má gestão

Diretor é acusado de ter gasto milhares de dólares em itens pessoais, antiguidades e cartas de Magic: The Gathering.

A queda pública de Ashes of Creation continua a dar que falar. Agora, um alegado histórico detalhado das despesas do Intrepid Studios veio a público, pintando um retrato perturbador de uma empresa que esteve à beira da morte financeira em múltiplos momentos, enquanto milhões de dólares eram canalizados para compras duvidosas, que incluem itens pessoais e cartas de Magic: The Gathering.

O YouTuber NefasQS afirma ter obtido o livro de registos financeiros do Intrepid Studios, abrangendo o período entre 2015 e 2026. Segundo o criador de conteúdo, os documentos revelam levantamentos misteriosos feitos por John Moore (marido do antigo CEO, Steven Sharif) e custos de desenvolvimento inflacionados por outsourcing. Sharif já reagiu, desmentindo todas as alegações.

Os números revelados por NefasQS apontam para um estilo de vida luxuoso mantido com o orçamento da empresa. Entre as despesas mais bizarras listadas estão mais de 220 mil dólares em serviços de entrega de comida, 48 mil dólares em antiguidades, 21 mil dólares para um chef pessoal e até 21 mil dólares em cartas de Magic: The Gathering.

O registo de transações sugere que a o estúdio esteve várias vezes à beira de falir, sobrevivendo apenas graças ao apoio dos investidores. "Sem as injeções de capital de vários empréstimos e investidores, a Intrepid Studios teria ido à falência múltiplas vezes", afirma o YouTuber. O documento mostra depósitos de investidores a entrarem num dia, apenas para montantes semelhantes serem retirados pouco depois sob o rótulo de "empréstimos a acionistas".

Em resposta à Kotaku, Steven Sharif refutou as acusações, alegando que as informações foram manipuladas por indivíduos que tentaram orquestrar uma tomada de controlo ilegal dos ativos da Intrepid. Sharif sublinha que NefasQS está a ser usado como "porta-voz" por pessoas com interesses pessoais feridos, ignorando padrões jornalísticos básicos.

O fundador da Intrepid Studios afirma que a batalha judicial que está a travar contra o conselho de administração, liderado por Rob Dawson, já provou que houve uma tentativa ilegal para apreender a propriedade intelectual do jogo. Atualmente, existe uma ordem de restrição temporária emitida pelo tribunal de San Diego a favor de Sharif.

Este novo escândalo é apenas o capítulo mais recente de uma saga desastrosa. Em fevereiro de 2026, a Valve retirou Ashes of Creation do Steam após a liderança e a equipa sénior se terem demitido semanas após o lançamento em Early Access, com o jogo a custar por 50 dólares). Na altura, Sharif alegou que a demissão foi um protesto contra pedidos "eticamente insustentáveis" feitos pela administração.

Documentos públicos revelaram recentemente que 210 funcionários foram afetados por despedimentos em massa no final de janeiro, muitos dos quais alegam não ter recebido o ordenado desse mês. Enquanto o processo judicial decorre nos Estados Unidos, a comunidade de jogadores, muitos dos quais ainda lutam por reembolsos no Steam, assiste ao que parece ser a implosão final de um dos projetos mais ambiciosos (e conturbados) do género MMO.


Pedro Pestana é viciado em gaming, café e voleibol, sensivelmente nesta ordem. Podem encontrar alguns dos seus devaneios no Threads ou Bluesky.

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